O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) é um transtorno do neurodesenvolvimento caracterizado por sintomas de desatenção, hiperatividade e impulsividade. Embora esses sintomas centrais sejam os mesmos em homens e mulheres, a forma como eles se manifestam pode ser bastante diferente.
Essas diferenças ajudam a explicar por que muitas mulheres permanecem sem diagnóstico até a vida adulta, enquanto os homens costumam ser identificados ainda na infância.
O TDAH é diferente em mulheres e homens?
Os critérios diagnósticos do DSM-5 são os mesmos para ambos os sexos. No entanto, estudos mostram que existem diferenças consistentes na apresentação clínica, nas comorbidades e no impacto funcional.
Em geral, homens apresentam mais sintomas visíveis e externalizantes, enquanto mulheres costumam apresentar manifestações mais silenciosas e internalizantes.
Como o TDAH costuma se manifestar em mulheres?
As mulheres são mais frequentemente diagnosticadas com a apresentação predominantemente desatenta do TDAH.
Os sintomas mais comuns incluem:
- distraibilidade frequente;
- dificuldade para organizar tarefas e administrar o tempo;
- esquecimentos constantes;
- dificuldade de planejamento;
- sensação de sobrecarga mental;
- baixa autoestima;
- desregulação emocional.
Além disso, muitas mulheres apresentam impulsividade de forma diferente dos homens. Em vez de comportamentos físicos impulsivos, é mais comum ocorrer impulsividade verbal, como interromper conversas, falar excessivamente ou responder antes de refletir.
Como esses sintomas costumam ser menos disruptivos, muitas meninas são vistas apenas como “distraídas”, “desorganizadas” ou “ansiosas”, sem que o TDAH seja reconhecido.
Como o TDAH costuma se manifestar em homens?
Os homens apresentam com maior frequência as formas hiperativa ou combinada do transtorno.
São mais comuns:
- hiperatividade motora;
- inquietação constante;
- impulsividade física;
- dificuldade para esperar;
- desinibição;
- agressividade;
- comportamentos externalizantes.
Essas manifestações tendem a chamar mais atenção da família e da escola, favorecendo um diagnóstico mais precoce.
As comorbidades também são diferentes
Além das diferenças nos sintomas, homens e mulheres apresentam perfis distintos de comorbidades.
Nas mulheres, são mais frequentes:
- transtornos de ansiedade;
- depressão;
- transtorno de personalidade borderline;
- transtornos alimentares;
- maior risco de comportamento suicida.
Nos homens, destacam-se:
- transtornos por uso de substâncias;
- transtorno de conduta;
- transtorno de personalidade antissocial.
Em ambos os sexos, ansiedade, depressão e transtorno do espectro autista podem ocorrer com frequência.
Por que tantas mulheres recebem o diagnóstico apenas na vida adulta?
Durante muitos anos, a maior parte das pesquisas sobre TDAH foi realizada com meninos. Como consequência, os critérios diagnósticos passaram a valorizar principalmente manifestações de hiperatividade e impulsividade.
Mulheres que apresentam predominantemente desatenção, dificuldades de organização e sofrimento emocional frequentemente recebem outros diagnósticos antes que o TDAH seja considerado, como ansiedade, depressão ou transtorno de personalidade borderline.
Hoje sabe-se que essa diferença contribui para o subdiagnóstico feminino.
O tratamento muda entre homens e mulheres?
O tratamento segue os mesmos princípios para ambos os sexos e pode incluir:
- psicoeducação;
- intervenções comportamentais;
- psicoterapia;
- organização ambiental;
- medicamentos quando indicados.
O mais importante é reconhecer que o TDAH pode se apresentar de maneiras diferentes e que o tratamento deve ser individualizado, levando em consideração os sintomas predominantes, as comorbidades e os prejuízos funcionais de cada paciente.
Fonte: WILLIAMSON, D.; JOHNSTON, C. Gender Differences in Adults with ADHD. In: POLLAK, Y.; GINSBERG, Y. (org.). Clinical Handbook of ADHD Assessment and Treatment Across the Lifespan. Cham: Springer, 2023.
