A quetiapina é um medicamento amplamente utilizado na Psiquiatria em diversas condições. Ela é mais conhecida como antipsicótico, o tratamento de condições como transtorno bipolar, esquizofrenia e, em algumas situações, depressão. O que muitas pessoas não sabem é que ela está disponível em duas formulações: liberação imediata (IR – Immediate Release) e liberação prolongada (XR – Extended Release).
Embora ambas contenham o mesmo princípio ativo, elas não são exatamente iguais.
Como funciona cada formulação?
A principal diferença está na velocidade com que o medicamento é liberado e absorvido pelo organismo.
A quetiapina IR é absorvida rapidamente, atingindo sua concentração máxima no sangue em aproximadamente 1,5 hora após a administração. Já a quetiapina XR libera o medicamento de forma gradual, alcançando o pico de concentração em cerca de 6 horas.
Na prática, isso significa que a formulação XR produz concentrações mais estáveis ao longo do dia, enquanto a IR gera um aumento mais rápido da concentração plasmática.
Isso muda os efeitos do medicamento?
Pode mudar, principalmente em relação à tolerabilidade.
Como a quetiapina IR atinge níveis mais elevados em pouco tempo, é comum que provoque mais sonolência, tontura e queda da pressão arterial logo após a administração. Por outro lado, a formulação XR tende a apresentar esses efeitos de forma mais gradual, sendo melhor tolerada por alguns pacientes.
Além disso, a XR geralmente permite uma única tomada diária, enquanto a IR pode exigir duas administrações ao dia, dependendo da indicação e da dose utilizada.
Uma formulação é mais eficaz que a outra?
De forma geral, não.
Quando utilizadas corretamente e nas doses adequadas, as duas formulações apresentam eficácia semelhante para as indicações aprovadas. A escolha entre IR e XR costuma depender das características de cada paciente, do objetivo do tratamento, da rotina diária e da presença de efeitos adversos.
Existe diferença nas interações medicamentosas?
Alguns estudos sugerem que sim.
Uma pesquisa observou que pacientes em uso de lamotrigina apresentaram redução dos níveis plasmáticos da quetiapina IR, enquanto esse efeito não foi observado de forma significativa na formulação XR. Esse achado ainda precisa ser melhor compreendido e, isoladamente, não significa que todos os pacientes devam trocar de formulação. Entretanto, é uma informação relevante para médicos que acompanham pacientes em uso dessa associação.
Qual é a melhor opção?
Não existe uma resposta única.
A melhor formulação é aquela que oferece o melhor equilíbrio entre eficácia, tolerabilidade e praticidade para cada paciente. Em algumas situações, a quetiapina IR pode ser a escolha mais adequada; em outras, a XR apresenta vantagens importantes.
Por isso, a decisão deve sempre ser individualizada e tomada em conjunto com o médico, considerando o diagnóstico, os sintomas, os medicamentos em uso e a resposta ao tratamento.
Em resumo: a quetiapina IR e a XR contêm o mesmo medicamento, mas diferem na forma como são absorvidas pelo organismo. Essas diferenças podem influenciar a sedação, a ocorrência de alguns efeitos adversos, a frequência das tomadas e, em situações específicas, até algumas interações medicamentosas. O mais importante é lembrar que não existe uma formulação universalmente superior: existe a mais adequada para cada paciente.
